O preço da etiqueta não compara produtos
Dois frascos podem ter preços diferentes e, ainda assim, o de menor valor na etiqueta custar mais por miligrama. Para entender a diferença, é preciso conferir tanto o volume quanto a concentração, em vez de comparar apenas o desembolso de cada embalagem.
A comparação honesta usa o preço por miligrama, uma conta que o próprio paciente ou o cuidador consegue fazer com o rótulo na mão e uma calculadora de celular.
A conta em duas etapas
A primeira etapa descobre quantos miligramas existem no frasco inteiro: multiplica-se a concentração, indicada em miligramas por mililitro (mg/mL), pelo volume do frasco em mililitros. Alguns rótulos já informam o total, e nesse caso a primeira etapa está pronta.
A segunda etapa divide o preço pago pelo total de miligramas, e o resultado é o custo de cada miligrama.
Um exemplo com números inventados
Os valores abaixo são hipotéticos, criados só para mostrar o método, e não representam preço de nenhum produto real.
Suponha um frasco A de 30 mL com 50 mg/mL, vendido por R$ 600. Ele contém 1.500 mg, e a divisão de 600 por 1.500 dá R$ 0,40 por miligrama.
Suponha agora um frasco B de 10 mL com 100 mg/mL, vendido por R$ 450. Ele contém 1.000 mg, e a divisão de 450 por 1.000 dá R$ 0,45 por miligrama.
O frasco B parece mais barato na prateleira, R$ 450 contra R$ 600, mas cada miligrama dele custa mais caro. Nesse exemplo, os R$ 0,45 do frasco B representam 12,5% a mais por miligrama que os R$ 0,40 do frasco A.
Do miligrama ao mês
O custo mensal é o preço por miligrama multiplicado pelos miligramas consumidos no mês. A quantidade diária é definida pelo médico que prescreve, e este texto não sugere nenhum valor. Apenas para fechar a conta do exemplo, imagine que o consumo do mês, já definido pelo prescritor, somasse 600 mg: o frasco A custaria R$ 240 e o frasco B, R$ 270. Dividir o total do frasco pelo consumo mensal também mostra quanto tempo ele dura, e os 1.500 mg do frasco A atenderiam esse consumo hipotético por dois meses e meio.
O que distorce a comparação
A divisão só vale entre produtos que contêm o mesmo composto. Um frasco com canabidiol (CBD) e tetraidrocanabinol (THC) tem dois totais de miligramas, e somar os dois num número único esconde a diferença entre eles. O ideal é calcular o preço por miligrama de cada composto separadamente e comparar CBD com CBD, THC com THC.
O tipo de extrato também pesa: produtos de composição diferente não se equivalem apenas porque têm o mesmo número de miligramas de um composto. O preço por miligrama compara custo, e a escolha entre formulações cabe ao prescritor.
O preço anunciado pode deixar de fora despesas cobradas separadamente, como frete ou taxas. Para calcular o custo por miligrama daquela compra, use o total efetivamente pago pelo frasco, incluindo essas despesas quando existirem. Se houver cobrança em outra moeda, registre o valor desembolsado em reais, sem substituir esse valor pela cotação consultada em outro dia.
Como registrar para comparar no tempo
Uma planilha simples ou um caderno resolve. Cada compra ganha uma linha com a data, o volume, a concentração, o total de miligramas, o preço pago já com frete e o preço por miligrama. Preços de cannabis medicinal mudam, e o registro datado mostra se o custo subiu ou caiu entre uma compra e outra, em vez de depender da memória.
Levar essa tabela à consulta permite discutir com o médico prescritor tanto o orçamento quanto as diferenças entre formulações. Se a prescrição mudar, a estimativa do gasto mensal precisa ser refeita com a nova quantidade prescrita, mesmo quando o preço por miligrama permanece igual.