Epilepsia e CBD: O Tratamento que Reduz Crises em Crianças e Adultos

Quando um filho tem epilepsia refratária — aquela que não responde a dois ou mais medicamentos anticonvulsivantes — os pais vivem em estado de alerta constante. Cada crise é uma emergência potencial. É nesse contexto dramático que o CBD deixou de ser alternativa para se tornar tratamento comprovado.

De todas as condições em que a cannabis medicinal foi estudada, a epilepsia é a que possui o maior volume de evidências científicas. O canabidiol (CBD) é hoje o único derivado da cannabis aprovado pelo FDA (EUA), pela EMA (Europa) e pela ANVISA (Brasil) como medicamento para epilepsia refratária, na forma de Epidyolex/Epidiolex.

O que é epilepsia refratária?

A epilepsia refratária ocorre quando as crises não são controladas adequadamente mesmo com dois ou mais anticonvulsivantes testados de forma adequada. Isso acontece em cerca de 30% dos casos de epilepsia. Para essas famílias, cada dia é um desafio — e a busca por alternativas é legítima e urgente.

As síndromes mais comuns que chegaram ao CBD foram:

  • Síndrome de Dravet: epilepsia genética grave que começa na infância, com crises longas e frequentes, frequentemente refratária a medicamentos convencionais
  • Síndrome de Lennox-Gastaut: outra forma grave de epilepsia infantil com múltiplos tipos de crises, incluindo as “drop seizures” (quedas súbitas com perda de consciência)

As evidências são sólidas

Os ensaios clínicos que levaram à aprovação do Epidyolex são impressionantes:

Em estudo publicado no New England Journal of Medicine e discutido pela Epilepsy Foundation, o CBD reduziu a frequência das drop seizures (crises de queda) na síndrome de Lennox-Gastaut em 43,9% no grupo CBD versus 21,8% no grupo placebo.

Para a síndrome de Dravet, estudos randomizados controlados mostraram redução de crises convulsivas de 39-49% no grupo CBD, comparado com cerca de 13-27% no placebo. Em alguns pacientes, houve redução de mais de 50% nas crises.

O hospital pediátrico Nationwide Children’s também documentou casos clínicos com Cannabis-derived treatment showing significant seizure reduction em crianças com epilepsia difícil de tratar.

Epidyolex: o medicamento aprovado

O Epidyolex é uma solução oral de CBD purificado a 100mg/mL. No Brasil, é importado mediante prescrição médica e autorização da ANVISA. A aprovação pela ANVISA significa que o produto passou por avaliação rigorosa de segurança e eficácia — não é um suplemento, é um medicamento.

Isso representa um marco importante: é a primeira vez que um derivado da cannabis recebeu status de medicamento pleno em várias jurisdições ao mesmo tempo.

Além do Epidyolex: outros óleos de CBD

Nem todos os pacientes têm acesso ou condições de obter o Epidyolex. Óleos de CBD de amplo espectro ou CBD+THC em proporções controladas também são utilizados por famílias, frequentemente com resultados reportados como positivos.

A diferença importante é que o Epidyolex passou por ensaios clínicos rigorosos e tem dose precisa definida. Os óleos artesanais ou de uso geral têm variabilidade maior e menor previsibilidade.

Como o CBD age contra crises epilépticas?

O mecanismo anticonvulsivante do CBD não está completamente elucidado, mas envolve:

  • Modulação de canais de sódio: reduz a excitabilidade neuronal excessiva
  • Receptores GPR55: o CBD bloqueia receptores que, quando ativados, aumentam a atividade convulsiva
  • Redução de glutamato: diminui a liberação desse neurotransmissor excitatório
  • Efeito anti-inflamatório: inflamação neuronal está implicada em algumas formas de epilepsia

Esses mecanismos são distintos dos anticonvulsivantes tradicionais, o que explica por que o CBD pode ser eficaz em pacientes que não respondem a eles.

É seguro para crianças?

Os ensaios clínicos incluíram crianças a partir de 2 anos. Os efeitos colaterais mais comuns foram: sonolência, diminuição do apetite, diarreia e elevação de enzimas hepáticas (especialmente quando combinado com valproato). O monitoramento médico regular é essencial.

O CBD não é isento de riscos, mas seu perfil de segurança em crianças epilépticas é considerado aceitável diante dos benefícios obtidos.

O caminho para o tratamento

Se você tem um filho com epilepsia refratária e quer avaliar o CBD:

  1. Fale com o neurologista responsável pelo acompanhamento da epilepsia
  2. Documente o histórico de medicamentos já tentados e seus resultados
  3. Avalie o Epidyolex como primeira opção — é o produto com maior evidência e dose controlada
  4. Mantenha todos os anticonvulsivantes que estejam ajudando — o CBD é adjuvante, não substituto

Nosso guia Conversando com Seu Médico sobre Cannabis pode ajudar a preparar essa conversa.


Fontes